Seu ofício
bem sabia:
roer poesia.
Morava e trabalhava
na prateleira
de um sebo distante
roendo palavras
incessante
Um dia,
não notada,
foi envelopada
viajou quilômetros
até minha casa
O livro bolorento
me causou espirro
que acordou a bicha
sem cair sua ficha
de estar em perigo
Foi direto à cozinha
lanchar palavrinhas
coitada...
se achava esperta
morreu esmagada
na página aberta
Como sou bonzinho
deixarei sua lápide:
Aqui jaz
(já não existe mais)
assim com rimas
que adorava poemas
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